
Tou na Merda, também. Fui apanhado na "teia" do desemprego. Desemprego forçado.
Tratou-se duma situação de insolvência, ou seja, o património já não chega para fazer face às "dividas".Conclusão? Despedimento colectivo...
Como se chegou até aqui??? Pá, excelente questão.....Não sei a resposta. Mas desconfio...
Muito me admira o "negócio" para alguns certamente, não ter berrado antes e ter durado 30 anos. O ramo da habitação dá de facto ganhos fenomenais, mesmo nas cooperativas cujas margens são limitadas e tabladas. Só assim se compreende terem resistido tanto tempo. Dá para "tapar" e amenizar todas as burradas ao longo destes anos, quer a nivel financeiro, quer de gestão. Conhecimentos nestas áreas, nenhum dos directores possuia.
Um deles, o tesoureiro, era cortador de papel e assim permaneceu, contudo, conseguiu granjear uma pequena fortuna bancária, de tal modo, que num determinado momento denotando uma falta de inteligência atroz, emprestou à cooperativa, à beira do abismo, cerca de 60.000,00 euros de capitais próprios. Como o conseguiu é a pergunta que se coloca???A esposa nunca trabalhou, que se saiba, e a unica fonte de rendimento era o vencimento que auferia na cooperativa por ser responsável pela limpeza.
Meus caros, em 10 anos que lá estive, nunca a vi limpar a ponta dum chavelho. Simplesmente lhe davam o ordenado por ser a esposa do tesoureiro.
O outro, o Presidente, também trabalhava numa tipografia, só que mais inteligente ou não, abriu o seu negócio numa artéria no centro histórico. A partir daí foi sempre a crescer, comprou o café em questão, comprou outras lojas, pagou a educação dos 3 filhos no colegio particular mais caro da cidade, etc....
Os restantes directores são raia miuda e sempre se contentaram com "migalhas".
Não digo que os homens são corruptos, apenas digo que poderá haver essa forte possibilidade.
Eram individuos arrogantes, prepotentes, calculistas, de parcos niveis culturais e habilitações literárias. E era com estes individuos mesquinhos e tacanhos, que tinhamos que lidar todo o santo dia. Pior, são pessoas deste calibre, e não só nesta "empresa", que estão à frente dos destinos do recido empresarial deste país.
-Nunca percebi como os bancos emprestavam milhões e milhões a gente ressabiada, ignorante e matomba, como a grande maioria que compunha a direcção daquela cooperativa. Sim trabalhava numa cooperativa de habitação.
Eram "enterrados" milhões de euros naquela cooperativa que rapidamente se dissolviam sem que aparentemente houvesse um estudo exaustivo que justificasse tais emprestimos.
-Nunca percebi, o facto de ser o mesmo empreiteiro a construir para a cooperativa durante 30 anos sem que houvesse orçamentos de terceiros, condição exigida pelo código cooperativo.
-Nunca percebi porque se foi contratar um arquitecto do Porto quando existem excelentes aqui na zona.
-Nunca percebi, como um determinado Banco empreta mais de meio milhão de euros com base num aval pessoal de 3 directores, sendo 2 reformados e 1 tabarneiro.
Nunca percebi muita merda, mas desconfio...é o país de merda que temos. E até na "hora da morte", mesmo depois dos bancos terem ficado a arder com milhões de euros, e dos directores terem-se despojado dos bens em favor da filharada, mesmo assim, nada lhes vai acontecer.
Processos de insolvência, falencia e o caralho devem ser às pás. Fossem dar azo a todas elas e não se mexiam do mesmo sitio. A não ser que exista uma queixa, ninguem faz a ponta dum corno. Mas quem a poderia fazer(a queixa), não faz, porque no fim, para além de não ser protegido, acaba por levar com a merda em cima. Não há qualquer glória no acto e a simples motivação de se ver fazer justiça, não existe. Não há justiça neste país.....
Agora que tou na merda, ou talvez não, só tenho que driblar para a frente e esperar "novos ventos". Uma coisa é certa, deixei de respirar o ar podre e nauseabundo que se vivia naquele coio. Levei uma "almada nas costas", forçada é certo, mas agradeço, caso contrário, ainda lá estaria, indefenidamente, acomodado.





