A NTV veio algum tempo depois, tinha grandes planos para ela, dar-lhe forma, estiliza-la, dar-lhe singularidade, fazer dela uma CAFÉ racer. Comprei-a especialmente para esse projeto e dado o seu design nada concensual e desconhecendo a máquina em si e a sua alma, facilmente me rendi aos seus encantos e até o seu aspecto obsoleto aprendi a gostar.
O projecto em si nunca cheguei a iniciar, a proximidade das inspeções, o cerco das autoridades, a pressão e exigências cada vez maiores para os motociclos, a desvalorização acentuada ou não valorização mesmo depois do investimento considerável, frustraram as minhas expectativas. Neste seguimento encetei diligências no sentido de procurar uma moto mais concensual tendo em conta vários aspectos e alguns condicionalismos. Tentei procurar algo confortável, versátil, económico, de mecânica simples e facilitada, com cardan e motor V-Twin.
Já estava a desesperar (e explico mais à frente porquê), quando me surge algo que desconhecia totalmente ou para o qual nunca tinha prestado muita atenção(as palas não me permitiam ver para o lado), uma Yamaha BT 1100 Bulldog com design muitissimo apelativo e intemporal. Um canhão de 1100cm3, 70cv, cardan e motor em V, o mesmo motor da virago 1100, ciclística tipo trail, naked, confortável qb, economica qb, mecânica semelhante à virago e dragstar 1100. Um verdadeiro achado e outra verdadeira pechincha. Um conceito algo estranho e de dificil habituação, mas depois entranha-se e sente-se quase como algo de culto. Moto com tiragem limitada e que não passa despercebida. Tal como a ntv tem alma aguerrida e nervosa, suscita paixões e emoções. E principalmente, preenche todos os parâmetros pelos quais me regi.
Em 2018 não considerava outro tipo de moto que não apenas os ferros e café racers.
As café racers, se pagarmos as alterações, pagamos consideráveis somas e tornamo-las ilegais simultaneamente, não sendo portanto opção.
Se as comprarmos com esse design específico, agora que estão muito em voga e na moda, pagaremos demasiados milhares de euros com notória sobrevalorização. Além de que, como o próprio nome indica, podem igualmente gerar paixões, e sei que sim, mas deixam muito a desejar quando se fala em versatilidade e conforto. Não sao motos confortáveis, de grandes viagens e com capacidade de carga. São de facto motos muito apelativas e são da minha preferência, mas quando se procura algo de forma permanente, procura-se consistência e compromisso.
Já as custom teem isto tudo, ou quase, mas novas deixaram de fabricar ou existem poucas alternativas e as usadas teem preços igualmente sobrevalorizados como se, de semi-novas se tratassem, o que me faz e sempre fez, fugir para o sentido oposto. Por outro lado, por mais que gostasse de voltar a ter um ferro, jamais sucederá, não só pelos motivos atrás mencionados, mas porque as minhas costas, particularmente a zona lombar, já não permite.
Customs & cafe racers são as máquinas da minha preferência, e eram as unicas que considerava ate 2018. Hoje a minha maquina de eleição é a Bulldog. O futuro não sei, mas não andará muito longe desta ciclistica.
Boas curvas
Ed54






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